Bioecologia da Delia radicum na região do Entre Douro e Minho

Ana Aguiar, Anabela Ferreira, Cláudia Carvalho, Dalila Martins, Domingos Almeida

 

A Delia radicum L. assume actualmente grande importância económica devido aos estragos causados nas culturas de Brassicas (couves, nabo e nabiça). As plantas atacadas murcham e em poucos dias secam. Esta mosca é muito semelhante à mosca doméstica Musca domestica L. (1758), pois pertencem à mesma família (Anthomyiidae), sendo difícil distinguir entre as duas espécies. Contudo Delia radicum é ligeiramente mais pequena, tem uma tonalidade mais clara e os olhos de tom avermelhado.

Com este trabalho pretende-se conhecer o período de actividade da praga na Região do Entre Douro e Minho e propor formas de monitorização para estimativa do risco. 

O estudo foi realizado na Estação de Hortofloricultura da DRAEDM em Vairão, Vila do Conde. Foram semeadas as seguintes variedades de nabo: ‘Globo Híbrido’, ‘Tamura’, ‘Sao Cosme’, ‘Grelo Nabo Temporão’, ‘Tokyo White Cross’ e ‘Ingles Roxo Comprido’.

Foram colocadas armadilhas cromotrópicas amarelas para a captura de adultos, procedendo-se semanalmente à contagem das moscas capturadas, as quais foram posteriormente identificadas no laboratório. Foram utilizadas armadilhas de ovos fdeitas de esponja (poliuretano) e de alcatifa (polipropileno) com 2 cm de altura, de diferentes cores e texturas, feitas com material reciclado, colocadas, uma por planta, quando as plantas possuíam 4 a 6 folhas. As armadilhas foram recolhidas e substituídas semanalmente, colocando-se novas armadilhas nas mesmas plantas. No laboratório procedeu-se à contagem dos ovos.

A cada nabo colhido foi retirada a rama, e foram contados os nabos atacados e os não atacados.

Foram identificadas várias espécies de Delia nos campos de nabo (D. radicum, D. platura, D. antiqua e D. floralis) e não apenas D. radicum como se pensava até agora. Foram ainda identificados dois predadores de Delia, Aleochara bilineata (Coleoptero); Trybliographa rapae (Himenoptero), que se podem revelar importantes auxiliares em estratégias de luta biológica ou de protecção integrada.

De um modo geral, Delia radicum prefere, para postura, as armadilhas escuras às claras. Destas, prefere a carpete. Além disso a observação de ovos é mais fácil na carpete escura devido ao contraste de cor.  Verificou-se que, durante todo o período de estudo a praga esteve presente na cultura contrariando informações publicadas que referem que a espécie entra em diapausa nos meses de Inverno. O facto da praga estar presente todo o ano dificulta o seu combate exigindo novas estratégias de protecção.

Observou-se que os estragos foram efectuados apenas por D. radicum. Assim, a simples contagem das capturas nas armadilhas cromotrópicas pode induzir em erro por sobrestimar a população da praga. Estes dados sugerem que não é lícito considerar como sendo D. radicum outras moscas capturadas na armadilha cromotrópica.

Verificou-se que a praga está activa durante todo o ano. As armadilhas de carpete escura são as mais indicadas por terem sido as preferidas para a postura e aquelas onde melhor se vêem os ovos. Para efectuar a melhor tomada de decisão, as armadilhas de ovos devem ser utilizadas conjuntamente com as cromotrópicas e observadas com a maior frequência possível, sendo aconselhado períodos não inferiores a uma semana.

 

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Última actualização: 2005-05-04.