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Guia de Trabalhos Práticos - Floricultura e Plantas Ornamentais

 

Propagação vegetativa de plantas ornamentais

B. Estacas caulinares

 

Propagação de estacas de crisântemo

Enraizamento de estacas de craveiro

Aulas práticas de estacaria. Floricultura e Plantas Ornamentais 2001

 

O uso de estacas caulinares é a principal técnica de macro-propagação vegetativa de plantas. A estacaria é também uma operação frequentemente necessária à propagação por enxertia, uma vez que a maioria dos porta-enxertos são obtidos a partir de estacas. Na propagação por estacas caulinares utilizam-se segmentos de caules contendo gomos terminais ou laterais, que são colocados em condições adequadas à produção de raízes adventícias.

As estacas caulinares classificam-se em função do grau de lenhificação do caule em:

Herbáceas. Nas estacas herbáceas o enraizamento tende a ser mais fácil, mas exige maior controlo ambiental. Estas estacas são preparadas a partir de caules herbáceos, com cerca de 7 a 10 cm, frequentemente com folhas. O enraizamento requer elevada humidade relativa. Sob condições adequadas, o enraizamento tende a ser rápido, com elevadas percentagem de sucesso. A utilização de promotores do enraizamento não é indispensável, mas melhora a unifromidade da distribuição das raízes. Exemplos de plantas ornamentais propagadas por estacas herbáceas: Coleus, crisântemo, craveiro, gerânio.

Semi-herbáceas. Estacas preparadas a partir da rebentação nova de espécies arbóreo-arbustivas de folha caduca ou persistente. As estacas semi-herbáceas são colhidas na Primavera, normalmente preparadas com 7 a 10 cm de comprimento, contendo pelo menos 2 nós e folhas. Deve-se evitar utilizar as partes dos ramos muito herbáceas e em crescimento activo e preferir material já um pouco atempado, mas que mantenha a sua flexibilidade. Se as folhas forem excessivamente grandes, deve.se cortar a meio, para reduzir a superfície de transpiração. Enraízam mais facilmente do que estacas mais atempadas, mas requerem mais atenção e melhor controlo ambiental. Respondem bem à utilização de promotores de enraizamento. Beneficiem da utilização de aquecimento do substrato (23 a 27 ºC), mantendo-se o ar a uma temperatura inferior (cerca de 21 ºC). Exemplos de plantas ornamentais propagadas por estacas semi-herbáceas: Magnolia, Forsythia, Pyracantha.

Semi-lenhosas. As estacas semi-lenhosas são preparadas a partir de espécies lenhosas de folha persistente (excepto coníferas) ou de material de espécies de folha caduca desde que colhido no Verão. As estacas são preparadas com 7  a 15 cm de comprimento, com folhas. Necessitam de sistemas de mist e beneficiam do aquecimento basal.  Exemplos de plantas ornamentais propagadas por estacas semi-lenhosas: Camélia, azevinho, Fuchsia, Erica.

Lenhosas. As estacas lenhosas são menos perecíveis do que as anteriores, pelo que exigem menos cuidados na sua preparação e não exigem controlo ambiental durante o enraizamento. Utilizam-se na propagação de espécies lenhosas de folha caduca e em gimnospérmicas. Nas espécies de folha caduca, as estacas colhem-se entre a queda da folha e a rebentação primaveril e prepara-se a partir de madeira do crescimento da estação anterior. Deve-se descartar a ponta dos ramos, normalmente pobre em reservas, e preferir a parte central e basal. As estacas lenhosas variam muito em comprimento, podendo ir de 10 a 70 cm. No casos das espécies gimnospérmicas, as estacas lenhosas colhidas entre o final do Outono e e o fim do Inverno, contêm folhas, pelo que é necessário haver algum controlo da humidade relativa do ar. Estas espécies também respondem bem ao aquecimento basal. Exemplos de plantas ornamentais propagadas por estacas lenhosas diversas árvores e arbustos ornamentais, choupo, Salix, porta-enxertos de roseira.

As estacas caulinares lenhosas podem ainda ser:

Simples

Com talão

Em cruzeta

A estaca simples é a mais frequente e dá bons resultados na maioria dos casos. Nalguns casos o enraizamento é favorecido pela presença de um talão (pequena porção de madeira velha) ou de uma cruzeta (secção do caule de madeira mais velha).

 

 

Objectivo

Preparar diferentes tipos de estacas caulinares e utiliza-las na propagação de espécies de plantas ornamentais.

 

Materiais

·  Bancada de enraizamento com aquecimento basal

·  Substrato: mistura de perlite e turfa numa proporção de 1:1 (v/v)

·  Tesoura de poda ou navalha afiada

·  Fungicida (Benlate)

·  Promotor de enraizamento (IBA)

·  Etiquetas de plástico

·  Lápis

Material vegetal:

·     Crisântemo

·     Craveiro

·     Alecrim

·     Santolina

·     Gerânio

·     Azálea

·     Azevinho

·     Juniperus

 

 

 

Procedimento

1.      A bancada de enraizamento encontra-se cheia com substrato que foi previamente regado. O termostato que regula o aquecimento basal está regulado para 19 ºC.

2.      Corte as estacas de acordo com o descrito para cada espécie e registe o número total de estacas.

a)      Crisântemo. Prepare estacas herbáceas com 2 nós.

b)     Craveiro. Prepare estacas herbáceas a partir de ramos laterais com 3 nós.

c)      Alecrim. Corte a parte terminal de ramos, fazendo estacas com cerca de 10 cm de comprimento. Remova as folhas na parte inferior da estaca (cerca de 6 cm).

d)     Santolina. Proceda da mesma forma como para o alecrim.

e)      Gerânio. Prepare estacas herbáceas da parte terminal dos ramos com 3-4 nós.

f)       Azálea. Descarte a parte terminal, muito herbácea do ramo. Corte a parte central e basal do ramo em estacas de cerca de 10 a 15 cm de comprimento. Deixe ficar 4 folhas em cada estaca e remova as restantes. Efectue uma incisão de cerca de 1 cm de profundidade na base na estaca.

g)      Azevinho. Prepare estacas a partir da parte terminal dos ramos com cerca de 10 cm. Deixe as 2 folhas junto ao ápice e remova as restantes. Efectue uma incisão de cerca de 1 cm de profundidade na base na estaca. 

h)      Juniperus horizontalis. Corte estacas lenhosas com cerca de 15 cm. Remova as folhas na metade basal da estaca. Remova a casca numa faixa de cerca de 5 cm na parte basal da estaca.

3.      Coloque a base das estacas na solução fungicida contendo 0,5 g.L-1 de benomil (p.c. Benlate, pó molhável com 50% de substância activa) durante 10 minutos.

4.      Trate 50% das estacas preparadas com promotor de enraizamento, colocando a base das estacas no pó (ácido indolbutírico numa formulação em pó).

5.      Insira as estacas no substrato até cerca de 50% do seu comprimento e coloque uma etiqueta a indicar a espécie e o tratamento.

6.      Regue o substrato para favorecer o contacto com as estacas.

7.      No final do semestre, proceda à avaliação das estacas, registando o número de estacas mortas, o aparecimento das raízes, a uniformidade do enraizamento e o crescimento da parte aérea.

 

Questões

1.      Os efeitos do tratamento com promotor de enraizamento verificou-se em todas as espécies?

2.      Que diferenças se podem observar entre as estacas tratadas e as estacas não tratadas com promotor de enraizamento?

3.      Compare a emergência das raízes nas estacas de craveiro e crisântemo. Que explicação encontra para as diferenças observadas?

4.      Em que situações é que a percentagem de sobrevivência foi menor? Porquê?

5.      De acordo com os dados obtidos neste ensaio, calcule o número de estacas que teria de colocar a enraizar para produzir 1000 plantas vigorosas de cada uma das espécies estudadas.

 

Sugestões de leitura

Hartmann, H. T., Kester, D. E., Davies, F. T. & Geneve, R. L. 1997. Chapter 11. Techniques of propagation by cuttings. In Plant propagation. Principles and practices. Sixth edition. Prentice-Hall, Upper Saddle River, New Jersey. pp. 329-391.

 

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Última actualização: 16/03/04.