Dossier de Docência 

Percurso de docência


O meu percurso docente proporcionou-me uma experiência diversificada. Tive oportunidade de dar aulas em duas universidades portuguesas e numa americana. Tudo começou em 1993 quando estava a finalizar o meu quinto ano do curso e tive oportunidade de ajudar o Prof. Fernando Martins nas práticas de Biologia das Culturas como monitor.

Quando acabei o curso e candidatei-me a uma vaga para assistente estagiário no Departamento de Fitotecnia da UTAD. Ainda antes de essa vaga abrir comecei a leccionar a disciplina de Produção Agrícola na Escola Superior de Biotecnologia, Porto, para alunos de Eng. Alimentar. Foi uma óptima experiência durante 3 anos. Entretanto na UTAD dei Horticultura, Forragens e Pastagens e Agricultura Geral. Dava umas 16 horas de aulas, ao que acrescentava o facto de ter de assistir a outras tantas aulas de mestrado e fazer os respectivos exames e trabalhos. Foi um ano muito cansativo.

Esse ano foi especialmente importante para mim enquanto docente. Estava numa situação em que era simultaneamente docente e aluno. De segunda a quarta falava, decidia, exigia, avaliava; quinta e sexta ouvia, obedecia, cumpria e era avaliado. Essa experiência proporcionou-me uma melhor compreensão das atitudes distintas de docentes e discentes em relação ao ensino-aprendizagem. As lições que aprendi derivaram não só da minha introspecção pessoal, mas também da observação das atitudes de outros colegas alunos de mestrado que eram também docentes. Era quase patético ver os assistentes a perguntar ao prof. quais as páginas que vinham para o exame e a reclamar que tinham muito trabalho. Vocês deviam ver! Sabem todas aquelas coisas que os profs não gostam que vocês façam? As reclamações, a choraminguice que não têm tempo, o pedir para adiar prazos, etc. Eles fazem o mesmo sempre que se sentam num banco da escola e têm de ser avaliados. Mas não há muitos que tenham tido essa experiência em tempos recentes e já se esqueceram.

Aprendi que há atitudes que estão associadas com a posição de avaliado e que são diferentes das do avaliador. E ainda que em tudo o resto as atitudes de docentes e alunos podem ser semelhantes; fazer um bom trabalho, estudar matérias relevantes, estar bem preparado, etc. Mas o facto de um ter de avaliar e outro ser avaliado será sempre uma fonte de "fricção" entre docentes-avaliadores e alunos-avaliados.

Aprendi também que os alunos não têm muito respeito nem a noção do trabalho e das expectativas do professor. De segunda a quarta eu ficava frustrado por os meus alunos não aceitarem de braços abertos todos os desafios que eu lhes lançava, que não quisessem ir mais além, que se ficasses pelo "suficiente", que não reconhecessem e apreciassem o meu esforço na preparação da aula e nas "boas ideias" que eu tinha. À quinta e sexta eu frustrava os meus profs pelos mesmos motivos.

Os dois anos seguintes foram mais calmos. Dei as práticas de Horticultura I e II e algumas aulas de Biologia das Culturas na UTAD e continuei com a Produção Agrícola na ESB.

Em 1996 fui para a Universidade da Florida fazer o doutoramento. Lá tive oportunidade de dar as aulas práticas da disciplina de General Horticulture (HOS 3013) em 1998. Foi uma óptima experiência. Para além do desafio de dar as aulas em inglês, a grande diversidade de alunos, oriundos de licenciaturas tão diversas como Arquitectura e Economia, permitiu-me compreender a importância da liberdade de escolha curricular e o desafio de tornar a Horticultura acessível ao público interessado. Do ponto de vista humano também foi uma experiência enriquecedora. Por exemplo, eu nunca tinha tido um aluno cego. Nunca tinha pensado como é que um cego poderia fazer as práticas de Horticultura. Felizmente muita gente na universidade já tinha pensado nisso e o Joe não teve dificuldade nenhuma em fazer a cadeira. E foi giro ensinar-lhe a distinguir as infestantes e as plântulas de cenoura. Nesta altura já tinha decidido prosseguir uma carreira académica com uma importante componente docente. Por isso procurei adquirir alguma formação em pedagogia. Felizmente a Universidade da Florida organizava diversos cursos e seminários que em muito me beneficiaram.

Depois de terminado o doutoramento, regressei a Portugal em finais de 1999. No ano lectivo de 1999/01 desenvolvi o programa de leccionei a disciplina de Fisiologia Pós-colheita do curso de mestrado em Fitotecnia da UTAD. Além disso dei aulas práticas de Horticultura I na UTAD em 1999/00 e fui responsável pela disciplina de Horticultura II no ano lectivo de 2000/01.

Em Setembro de 2001 rescindi o meu contrato com a UTAD e ingressei na Secção Autónoma de Ciências Agrárias da Faculdade de Ciências, Universidade do Porto.


Copyright Domingos Almeida 1999-2001.
Primeira versão: 10 Abril 1999
Última revisão: 24 Agosto 2001