Dossier de Docência 

Orientação científica

Orientar um trabalho de carácter científico é como guiar uma viagem pela "Ilha da Descoberta". Na ilha quase tudo é novo, tanto para o orientador como para o orientando. A vantagem do orientador é já ter percorrido caminhos análogos em ilhas semelhantes, mas cada ilha é diferente e muitas vezes orientador e orientando acabarão ambos perdidos.

Não compreender isto é um mau início para uma relação de orientação. A equipa orientador-orientando estabelece-se para levar a bom termo a viagem.

Paradoxalmente, quanto mais longa e difícil a viagem, menor é o papel do orientador. É menor num doutoramento do que num estágio, por exemplo. Isto não acontece por necessidade de pôr à prova os orientandos, mas por mera incapacidade do orientador de estar familiarizado com caminhos novos, da mesma forma que estará com pequenos percursos de navegação à vista.

 

As minhas expectativas em relação aos orientandos

Estágio

O estágio é encarado como um trabalho de experimentação (investigação adaptativa) para estar completo ao fim de 6 meses. Os alunos devem começar a trabalhar na revisão bibliográfica com muita antecedência, para se familiarizarem com os paradigmas da área e com as técnicas e tomarem consciência das limitações das técnicas utilizadas.

Considero fundamental que os alunos elaborem um protocolo dos ensaios, se familiarizem com os princípios da estatística aplicada à experimentação em horticultura, sejam capazes de entender o problema que abordam e preparar relatórios de progresso.

A publicação em revistas técnicas e participação em congressos é fortemente encorajada.

Esta filosofia assegura que os alunos adquiram algum conhecimento especializado e treino na elaboração de relatórios e no manuseamento de informação, fundamentais em qualquer carreira.

Mestrado

Os projectos de mestrado poderão ser orientados mais para aspectos técnicos ou para aspectos científicos, consoante os objectivos de carreira e interesse pessoal dos alunos.

As minhas expectativas para um mestrando são que:

1. Participe na definição do projecto de investigação que irá desenvolver;

2. Conduza as experiências adequadas com rigor;

3. Publique os resultados em revistas científicas ou técnicas de elevada qualidade.

Os alunos que reunindo as condições para o fazer, assim o desejarem, são encorajados a iniciar directamente projectos de doutoramento.

Doutoramento

As minhas expectativas em relação aos doutorandos são que:

1. Seleccionem um tema e elaborem um projecto de investigação actual e relevante;

2. Conduzam experiências criativas e inovadoras;

3. Publiquem em revistas científicas arbitradas de elevada qualidade.

Esta filosofia garante que os doutorandos obtenham treino científico actualizado e adquiram visibilidade através das publicações. Ambos são fundamentais para uma carreira de sucesso em áreas científicas ou tecnicamente avançadas no mercado de trabalho global.

 

Expectativas que eu tenho de mim próprio enquanto orientador

Eu penso que um orientador de trabalhos académicos deve assumir diversos papeis, incluindo:

Orientador científico. Proporcionar aos alunos uma experiência de descoberta científica enriquecedora, não resolver as dificuldades. Dar liberdade aos alunos para exercerem a sua criatividade e seguirem os seus "palpites", mas fazer os possíveis por manter os orientandos fora de águas mal paradas.

Consultor profissional. Enquanto orientador, tenho o dever de auxiliar os alunos na busca de emprego qualificado, que permita satisfazer as suas expectativas e justificar a formação avançada que estão a receber. Estou disponível para conversas sobre carreiras e sobre procura e candidatura a empregos.


Copyright Domingos Almeida 1999.
Última revisão: 10 Abril 1999